#07

Flavia
Eberhard

Recordista de mergulho com apneia e protagonista da nossa campanha de verão. Neste tempo juntos, perguntamos sobre seu estilo de vida, sua prática, sua relação com o mar. A conversa foi tão boa que queríamos continuar por horas e horas.

Como começou a praticar mergulho profundo?
Certa vez, nas Bahamas, mergulhei com golfinhos e como eles não gostam de bolhas, desci sem garrafas de oxigênio, só com o ar dos pulmões. Fui rodeada por três golfinhos que “brincavam” comigo. Eu tentava acompanhá-los com rodopios e cambalhotas. Me emocionei e perdi a noção do tempo.
Isso foi tão marcante que mudou minha vida. Percebi que compartilhamos o mundo com animais maravilhosos, sensíveis e sociais.

Fale sobre seus recordes.
Tenho 9 recordes: estadual, nacional e sul americano. O mais profundo foi na disciplina de imersão livre em que mergulhei 69m. Em treinamento, já atingi 74m e o tempo máximo de apneia de 6 minutos.

Ouvimos falar que você é musa do fotógrafo Pepe Arcos. Como é essa parceria?
Pepe é um filmmaker e fotógrafo que apresenta uma visão artística através de suas imagens submarinas. Temos uma relação de anos e de muita parceria. Já namoramos, trabalhamos juntos, fizemos a série APNEIA para o Canal Off. Temos cuidado e apreciação um pelo outro. Isso é realmente especial! Ele também é meu “muso” e um dos meus melhores amigos.
Pepe foi campeão de apneia pela Espanha e seu trabalho é todo feito com um só respiro.

Gosta quando te comparam a uma sereia?
Quem não gosta?! Metade mulher, metade peixe. Além de outras características fortes e poderes supostamente irresistíveis! Feminina e poderosa. Adoro!

Como é estar embaixo d’água?
É como uma viagem a um lugar onde posso simplesmente ser. Plena e presente. Observo o que passa fora e, principalmente, dentro de mim. Poder apreciar a vida submarina é um presente aberto a todos e que mais pessoas deveriam desfrutar! Viver é um presente diário e ter essa simples noção é muito importante.

Quais os animais mais incríveis que já viu? Conte algum caso curioso.
Já vi muitos! O caso mais recente ocorreu nos Açores. Nadei com tubarões azuis. O briefing era: quando um tubarão vier para cima de você, coloque a mão no focinho e delicadamente empurre para baixo. Para cima, a boca dele abre! Bom...dá para imaginar quantas emoções passei!

Fotos Pepe Arcos

Conte sobre suas pulseiras.
Ah! Sem elas me sinto nua. Contam um pouco de minha história. Onde estive, o que me marcou, lembram família e amigos.
É uma coleção cheia de amor e boas intenções.

Quais os cuidados com seu corpo?
Gosto de me sentir forte e saudável. Cuidar da mente é tão, ou mais, importante do que cuidar do físico. Tudo está conectado.
Pele e cabelo, eu tento. Sal e sol não são a melhor combinação, mas me fazem muito feliz. Tem coisa mais bonita que pessoa feliz?

Natureza, filosofia, o corpo humano.
Descobrir, crescer, expandir. E isso só é possível com relações humanas.
Acho que o humano, hoje em dia, é o que mais me inspira.

O mergulho livre influencia sua vida na terra?
Sim. Passei de uma carreira de modelo em que tinha “que ser tantas coisas” ao ato de me descobrir sozinha em um lugar longe dos olhos de todos, onde nada tinha que ser. Aprendi a acreditar mais no meu potencial.
Dei mais atenção à minha respiração, às minhas emoções. Às vezes passamos dias sem notar como está a nossa respiração. Como está a sua? Essa atividade me dá ferramentas também para meu dia a dia. Self awareness, better breathing, focus. Oportunidade de redefinir os limites e acreditar que somos capazes de ir mais longe.

Qual o seu limite?
E temos? Quando descobrimos algo, abrimos espaços para outras coisas e nosso próprio corpo se transforma em algo diferente. Essa constante exploração, sempre com muito respeito e apreciação, é a receita da felicidade. Já imaginou o que você ainda nem faz ideia do que é capaz?

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