#09

Victor
Collor

Multifacetado, Victor Collor é fotógrafo, sócio do restaurante Cozinha 212 e editor do jornal Vic & Co. Post no qual ele faz tudo, da concepção às imagens, passando pelos textos. Dono de um estilo de vida que conecta passado, presente e futuro, o alagoano radicado em São Paulo é um gentleman globalizado que preza pelas boas coisas da vida e pelo luxo simples. Sua rotina inclui dirigir um Fusca 1972 até Cotia, onde mora o sócio Stefan Weitbrecht. É na casa dele que ambos cultivam uma horta orgânica de onde saem 80% dos ingredientes do 212. Já em sua própria casa, no bairro de Higienópolis, Victor guarda tesouros garimpados em suas múltiplas viagens ao redor do planeta e que dizem muito sobre a sua personalidade.

“O Stefan fez o primeiro plantio da horta. Na sequência veio a primavera e todo mundo deu as caras: alface, rabanete, almeirão, beterraba, todos eles. Foi como tudo começou. Meu papel aqui é registrar todo esse passo a passo, do plantio à colheita, contar uma história para que daqui a dez, vinte anos possamos olhar as fotos e ver a evolução do nosso sonho. Não tem nada mais gratificante do que ver nosso restaurante sendo suprido por uma horta própria.”

“O Cozinha 212 nasceu de uma paixão, lá se vão três anos. É uma história de muito carinho e muita dedicação. Quase todas as minhas noites são no restaurante. No começo, quando fazíamos eventos, nos dividíamos na cozinha, hoje em dia o Stefan toca essa parte com maestria e eu fico mais na parte da comunicação, cuidando dos relacionamentos e da divulgação. Gastronomia para mim é um conjunto de fatores, não é apenas a comida. O serviço, quando tem carinho envolvido, por exemplo, te faz sair do lugar com outra perspectiva.”

“A minha casa é uma coleção de memórias. Quando as pessoas entram nela, dizem logo que a decoração diz muito sobre a minha personalidade. É um conjunto de objetos e de detalhes que acabam contando muito de quem eu sou. A cada viagem que faço trago alguma coisa e vou construindo tudo de forma orgânica. Existem peças africanas, fotos tiradas na Índia e cocares do Xingu, entre outras tantas lembranças.” Victor coleciona discos de vinil e o café de todas as manhãs é moído e coado. Ao mesmo tempo, trabalha as fotos que tira em sua câmera vintage em um poderoso Mac de última geração. É o high and low em seu estado mais verdadeiro."

Amante de carros antigos, Victor Collor tem um Porsche 914 amarelo e está reformando um 912 branco, ambos dos anos 70. A década é a sua preferida quando o assunto é automóvel. Mas o seu carro do dia a dia é um simpático Fusca 1972. Laranja. “Eu tinha uma coisa com Fusca. Passei um dia inteiro falando com dois amigos que têm uma loja de artigos vintage que eu queria um carro desses. Eles me apresentaram a um outro amigo, que me mostrou o bichinho. Foi amor à primeira vista. O carro tinha suas coisas a fazer, mas o que me pegou, mesmo, foi o laranja, que é a cor predileta do meu avô. É também uma cor rara em Fuscas, produzida por três anos apenas.” O volante envernizado, o aparador de bambu sob o painel espartano ou o suporte retrô para bicicleta na traseira são puro charme e esbanjam personalidade. “Ele é do último ano no Brasil em que faziam o farol chamado ‘olho de boi’”, diz o fotógrafo. “Esse é igual ao do Porsche 356”. É na estrada que a relação entre o dono e seu carro fica mais estreita. “Quando pego o caminho para a horta, sinto que ele se liberta e fica mais feliz por estar acelerando na estrada.”

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